Os males das protecções espirituais

Abril 2, 2018 jotamdacunha 0 Comments

Ouço e leio algumas (demasiadas) vezes alguns auto-intitulados mestres “disto” ou “daquilo” escreverem e publicitarem cursos, workshops (e outras coisas acabadas em “ops”) sobre “protecção espiritual”, “protecção contra pessoas negativas” ou “como eliminar da sua vida vampiros energéticos” ou ainda “identifique e fuja das pessoas tóxicas da sua vida”. Alguns outros fazem menção a uma necessidade imperiosa de fazerem uma libertação dos “karmas familiares” que nada têm a ver com os seus “clientes”.

Ora, quero acreditar que tal posição advém de uma ausência de reflexão sobre o tema e da necessidade imperiosa de um especialismo, que promete às pessoas que os ouvem, e que padecem do mesmo mal, a “cura” para todos os seus problemas, como se eles tivessem, de alguma forma, uma origem externa.

Ausência de reflexão, repito, sobre a sua própria essência e parca ou nenhuma compreensão sobre si mesmos enquanto Ser de e em Relação.

Defender este discurso é, na minha opinião (e é apenas esta que partilho), defender a separação, o afastamento, o isolamento que leva um ego aos píncaros da “superioridade” onde depois se vê sozinho e, pior, acha bom. Tarde ou cedo deparar-se-á com a arrogância desta sua escolha e, esperemos, será capaz, com maior ou menor sucesso, de sair desse lugar e voltar a encontrar o outro.

O mestre Jesus, o Cristo, sempre teve uma posição muito clara a este respeito. Chamou-lhe até Mandamento Novo: “amai-vos uns aos outros como/e a vós mesmos”. Disse ainda: “não há maior prova de amor do que dar a vida pelo/ao irmão”.

Vejo neste discurso de avaliação do irmão como tóxico uma postura que é de julgamento, critica e/ou de superioridade egóica. Diria mais: vejo este discurso como defensor e admirador do anti-cristo. Sim, isso mesmo, anti-cristo, na medida em que é total e profundamente contrário à mensagem do Cristo. E não é isso que significa anti-cristo?!

Antes de julgar o irmão, entenda que ele não é diferente de si. Que para outras pessoas, você também pode ser a pessoa “tóxica”. Então, antes de rotular ou de fugir, tente compreender o porquê dessa pessoa ou situação estar na sua vida. Acredito na lei do “semelhante atrai semelhante” e, por experiência própria e por mais que me doa no meu ego, todos os “tóxicos” da minha vida se revelaram os maiores mestres e com quem mais pude aprender. Na sua família, compreenda que você (não a sua consciência mas o seu espírito ou Eu Superior) escolheu nascer deles. A sua família constitui o terreno fértil para as suas aprendizagens. Aproveite e deixe de fugir! Transmute, transforme em vez de evitar.

Para os que têm uma consciência espiritual desperta, a responsabilidade é ainda maior! Em vez de julgar, criticar e condenar, é importante que assuma o seu dever para com os seus irmãos: se há um que precisa da sua energia, dê-lha. Se está desperto espiritualmente saberá voltar a elevar-se vibracionalmente. Se só sabe “proteger-se” desculpe, mas não está desperto. Não podemos proteger-nos do que está fora de nós por duas razões (que afinal são apenas uma): somos sistemas abertos porque na essência seres de Relação e… não há fora (nem dentro!).

Vida é também energia e dá-la aos irmãos que mais precisam é o maior acto de amor. Dar da sua energia e, assumindo a sua responsabilidade, ensinar-lhes que há uma outra forma de estarem na vida, se desejarem escolhê-la. Se não a escolherem, continue a dar o melhor de si. Afinal a Fonte Divina de onde pode e deve beber a todo o momento é inesgotável.

 

Sinta-se livre e confie nos pedidos de protecção divina que faz. Saiba, no entanto, que será protegido do que for necessário (e já é tanto, todos os dias, sem saber) mas será exposto/a ao que possa contribuir para as suas aprendizagens. Se pedir protecção e achar que não a obteve, lembre-se que Deus apenas dá, não tira. Pense de novo, não julgue demasiado rapidamente os acontecimentos e não ache que Deus foi mau para si.

Se quer conhecer-se a si, dê-se aos outros. Aprenda a curar-se e não a proteger-se.

Hoje, porque o Presente é o único momento que existe e onde pode mudar alguma coisa.

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