Metáfora sobre a Mudança

Novembro 15, 2017 jotamdacunha 0 Comments

Excerto do meu novo livro:

“Mudar é como aprender a atar os atacadores dos seus sapatos de uma nova forma. Vejamos: você sabe atar os sapatos, correcto? Sabe, também, que diferentes pessoas atam os sapatos de formas mais ou menos diferentes, mas aquela que aprendeu é-lhe suficiente e eficaz. Um dia, decide que quer aprender a atar os sapatos de uma forma nova (poderá estar já a pensar “para quê, se a forma que uso é eficaz?” Exactamente! Preguiça biológica!). Mas vamos contrariar esse pensamento e aprender uma nova forma.

Primeiro, terá de procurar alguém que ate os sapatos de forma diferente. Depois, observará atentamente como essa pessoa o faz. Provavelmente vai pedir-lhe que mostre lenta e detalhadamente todas as voltas que dá aos atacadores. A seguir, avaliará se compreendeu a nova forma e decide experimentar. Talvez sinta que precisa de praticar umas quantas vezes, junto do seu “mentor”, para que ele ou ela supervisione como faz, oriente os seus passos e, com certeza, agradecerá também algumas palavras de incentivo. Depois, já só, tentará então fazê-lo por si. As primeiras vezes vão parecer estranhas, mecânicas e até pouco práticas. Vai, certamente, dar por si a pensar coisas como “não tenho jeito nenhum para isto”; “que complicado”; “e se eu desistir?”; “mas porque é que me meti nisto!?”… E é legítimo ter esses pensamentos.

Aquilo que vai diferenciar a sua atitude não é se aprende logo à primeira a atar os sapatos de forma diferente. O que realmente importa é quão persistente é nessa nova aprendizagem.

Voltemos à nossa metáfora: depois de praticar algumas vezes, o mecânico começa a tornar-se orgânico. Adaptou o movimento fino dos seus dedos, memorizou as novas formas de contrair e colocar as suas mãos e a tarefa começa a ficar mais simples. A pouco e pouco, com disciplina e foco, a tarefa começa a ser mais fácil. Nos dias seguintes força-se a usar a nova forma de atar os seus sapatos. Nos dias de mais pressa, terá certamente a tendência para atar os atacadores da forma antiga e quando der por si, já o fez. Pode ou não desatar e voltar a atar da forma nova. A escolha é sua.

À medida que o tempo vai passando, a nova forma deixa de ser nova e passa a ser a habitual. Coloco-lhe agora a pergunta-chave: esqueceu-se da forma antiga e atar os sapatos?

Mudar uma crença ou uma forma de ver o mundo não é diferente. Não tem de esquecer como fazia. Aliás, não deve esquecer-se disso nunca. Servirá para avaliar o seu progresso, o seu crescimento. Recordar de onde veio e ser capaz de avaliar onde está são as chaves para poder decidir para onde quer ir a seguir. Ao compreender que é capaz, a tarefa da mudança torna-se progressivamente mais simples, ao mesmo tempo que desenvolve a confiança necessária para operar mudanças maiores e ainda mais significativas.

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