Oração: poder e propósito

Novembro 9, 2017 jotamdacunha 0 Comments

Temos imprimida em nós uma crença, fruto da raiz judaico-cristã onde fomos criados, de que a oração ou o acto de orar é rezar. As nossas considerações egóicas sobre a (não) existência de Deus levam-nos a menosprezar, muitas vezes, a utilidade ou a eficácia dessas orações. Mais, acreditamos que orar (ou rezar) é pedir. E, levados pela nossa programação de não merecimento, julgamos que nunca seremos atendidos.

Muitos acreditam, também, fruto dessa mesma programação de não merecimento, que não podem, não devem ou não se atrevem a orar directamente a Deus. Acreditamos que é necessário um qualquer intermediário para chegar a Ele. Usamos então os santos, os orixás ou a crença noutros “deuses menores” como meios para fazer chegar a nossa palavra a Quem queremos fazer chegar.

Ainda, a oração parece ser apresentada como uma espécie de “moeda de troca” ou como uma forma de acumular “créditos” no Céu ou para agradar a Deus. Ele não precisa de ser agradado, Ele sabe e conhece profundamente o que se passa no nosso coração e conhece mais e melhor de nós do que nós próprios.

Orar não é pedir, não é agradar nem comprar créditos. Orar é um processo individual, único e intimista. É a melhor forma de nos conectarmos com Deus e de nos recordarmos a nós mesmos dessa ligação que nunca desapareceu, que nunca se interrompeu.

A oração não tem fórmulas mágicas nem preceitos que permitem uma maior ou menor eficácia. A essas fórmulas chamamos ritos, que não são mais do que orações estruturadas, quando a tua capacidade individual de aceitar que as tuas palavras não são tão boas. Mas este uso é transitório (e muito útil até compreendermos que somos dignos de falar com Deus). Descobre e permite-te criar a tua forma própria e única de falar com Deus. Se possível, sem intermediários.

Orar não implica resposta, não necessita dela para poder ser eficaz. A oração não é para Deus, porque Ele sabe o que precisas antes que Lho peças. Então para que serve? Para ti! Deus respeita o teu livre arbítrio e dá-te aquilo que vibras.

A oração eleva a tua vibração, coloca-te mais próximo da vibração do Amor Divino. O seu poder é o teu poder: colocando a intenção que pretendes na vibração de Amor, ela permite a manifestação da tua essência criativa divina.

Lembra-te que Deus não te concede todos os teus desejos. Quem faz isso é o génio da lâmpada. Tu não crias na tua vida aquilo que queres, crias aquilo que vibras e aquilo que és.

Orar é também a melhor forma de Gratidão. Quando fizeres um pedido, lembra-te sempre de pedir a Deus que te ilumine e te permita compreender as diferentes perspectivas da situação que te aflige. E está disposto/a a aceitar as suas respostas. Deus não comunica directamente connosco, porque o Absoluto não fala com o Relativo. Ele mostra-se na tua vida, por meio de outras pessoas, artigos ou livros que lês ou conversas que escutas.

Depois de orar, está atento/a ao mundo ao teu redor, tira os olhos do teu smartphone, da tua dor ou da tua preocupação. Caminha livre e aberto/a para receber aquilo que é teu por direito divino e que Deus deseja que aceites em ti.

Orar relembra-te da tua Fé e da tua confiança naquilo que é o teu propósito aqui: aprender a amar.

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