O oposto de Deus

Novembro 7, 2017 jotamdacunha 0 Comments

Falamos, em discussões mais ou menos esotéricas e espirituais, no grande inimigo de Deus. Vivemos num mundo de opostos, onde tudo se complementa com os seus antípodas. Mas incorremos num grande erro: Deus não tem oposto!

A nossa crença (ou programação, como prefiro chamar), derivada dos escritos bíblicos, leva-nos à tendência inata para vermos Deus como homem. Esta antropomorfização de Deus é a nossa maior falha. Comparamos o Criador com a criatura e misturamos ambos; mas uma pintura não é o seu pintor. Uma pintura é apenas uma forma desse pintor se expressar. Também nós, e tudo o que conhecemos e desconhecemos, são expressões desse Criador, desse Deus que teimamos em humanizar ao invés de olharmos para nós mesmos como seres divinos, fruto dessa Obra desse Criador.

O que está escrito em Gn 1, 26-27 é “[…] façamos o ser humano à nossa imagem e semelhança […] Deus criou o ser humano à sua imagem, criou-o à imagem de Deus […]” Ora, este plural “façamos” leva a diferentes interpretações para a palavra original. Noutras versões da Bíblia, o termo Deus aparece substituído por “os Elohim”. E estes Elohim são os anjos de Deus, incumbidos da criação do mundo pela Sua Mão.

O mal, o demónio ou satanás é visto como o grande inimigo de Deus, que nos atenta e nos afasta Dele. Mas, tal como nós, ele é criatura e não Criador. O oposto desse mal é o Bem, a obra divina e angelical; essa ordem que, tal como nós, é criatura e dedica a sua existência ao serviço do Criador. Os demónios foram anjos que escolheram afastar-se e negar Deus. O seu oposto são todos os outros anjos do Céu.

A maior mentira desse satanás, outrora um dos maiores anjos do Céu, é fazer-nos crer que perdemos a ligação com Deus. Como pode uma obra perder a ligação com o seu criador? Sendo criaturas, obra desse Criador, nunca, mas nunca, nem por um segundo, perdemos a ligação a Ele. Se te fizeram acreditar que precisas de te religar (pagando somas mais ou menos exorbitantes por isso) foste enganado/a!

A mensagem de Deus, pela boca de tantos profetas, é só uma: Deus é amor e não tem oposto. Viver e experienciar o Amor não serve para agradar a Deus. Deus não precisa de ser agradado. O Amor que procuramos vivenciar serve para nos recordar, a cada momento, dessa ligação a Deus. É para nós que Deus se materializa e se torna físico, para que toldados pelo corpo físico, possamos ainda assim experimentá-lo. Não procures religar-te a algo de onde nunca te desligaste. Não procures métodos nem formas que prometem ser a solução para regressar a Deus. Nunca de lá saímos, é lá que vivemos e de onde não poderemos nunca escapar a não ser por vontade própria, consciente ou subconsciente.

Os métodos ardilosos desse grande mentiroso levam-nos a achar que precisamos de algo fora de nós mesmos, de uma terapia ou de um guru para alcançarmos a “iluminação”. E isso é entregarmos o nosso poder pessoal e, por isso, incorrermos no risco de sermos manipulados e mantidos fora de Deus (subsconscientemente, porque entregámos o nosso poder a alguém, igual a nós, que acreditamos poder mais que nós sobre nós).

A tua responsabilidade individual é a de te manteres firme nas amarguras e nas alegrias da tua existência, aceitando que não podes ter explicações para tudo; aceitando esse mistério na tua vida, que é Deus; aceitando que, tal como tu que és pai ou mãe, Ele faz coisas que aos teus olhos são incompreensíveis. Tu, enquanto pai ou mãe, tens uma visão mais alargada do que a do teu filho e por isso impões a tua vontade, porque sabes ser melhor ou mais adequada. Não perdes tempo a explicar porque sabes que, à luz do seu pouco conhecimento, o teu filho não vai compreender. Assim também faz Deus.

Deus é Amor. Descobrir Deus é descobrir o Amor. A tua missão de vida é uma só e é uma missão igual para todos nós: aprender o que é o Amor, para podermos começar a conhecer Deus. Tudo o resto são falácias e complicações. Queres iluminar-te? Ama, mas ama verdadeiramente. Sem julgamento e muitas vezes com sacrifício. É difícil? Pois é, mas é o único caminho. Dói? Magoa? Provavelmente estás no caminho certo.

Este não é o tempo da celebração mas da luta e da aprendizagem. Não estamos neste planeta de férias, estamos para trabalhar. E cada dia que desperdiças, teimando em não querer amar o outro e a ti mesmo, é um dia a menos para trabalhares na lição que te trouxe cá. Tudo o resto é conversa fiada!

Leave a Reply:

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *