Para quando te falta coragem!

Outubro 24, 2017 jotamdacunha 0 Comments

Nos dias de hoje, sentimentos e pensamentos derrotistas e o medo de que a vida não corra como se espera invade-nos individual e socialmente, à medida que nos deixamos “contagiar” por uma sociedade que se mantém preocupada em criar mais e mais pessoas de sucesso. Mergulhados nesse medo, deixamos que seja ele o motor dos nossos dias.

Aprendemos a valorizar-nos individualmente pelos sucessos aparentes; fomos convencidos que precisamos de ser os melhores e que estar no meio da multidão é mau ou errado.

Uma geração, a minha geração, cresceu observando um desenvolvimento tecnológico sem precedentes. Como não nos sentirmos esmagados?!

Produzem-se conteúdos para todos os gostos e feitios, há até pessoas especializadas em produzir conteúdos para as plataformas virtuais. Fazendo parte do problema (não elas próprias, mas os seus empregadores), são pagas ao artigo, fazendo lembrar os escravos que trabalhavam de sol a sol por um prato de pouca comida, como se a produção criativa se compadecesse com deadlines ou objectivos comerciais.

A mesma geração é pressionada para ser bom pai e boa mãe, bom ou boa profissional, não descurar os pais e o seu cuidado, casar, amar, ter sucesso, ser feliz, frequentar os restaurantes da moda, estar a par das ultimas tendências, ser um excelente crítico de cinema, de literatura, de música, sair com os amigos, investir numa relação e assumir as responsabilidades do activismo social ou dedicar-se à política porque, afinal, é esta geração a que se prepara para governar… Ufa! Não admira que estejamos esgotados!

Para fazer face a tamanha pressão, trabalhamos mais, esforçamo-nos mais, esticamos a corda… recorremos a estimulantes e depois a calmantes, descuramos o corpo e, principalmente a alma.

Porquê tudo isto? Para quê tudo isto?

É tempo de parares e pensares. Simplesmente pára! Fecha os olhos, respira fundo… Quais os teus sonhos? Quais as tuas vontades? O que valorizas e o que sacrificas apenas para te sentires adaptado/a?

Onde e quando deixaste de viver para sobreviver?

O que queres realmente?

A felicidade que tanto buscamos não está fora. Fomos levados a acreditar e a confundir felicidade e sucesso. A cada pequena conquista provamos o sabor agridoce de uma alegria que nos habituámos a aceitar como substituto da verdadeira felicidade e, com essa alegria, motivamo-nos a mover-nos para a próxima conquista. Há, no entanto, dentro de cada um de nós um sentimento de insatisfação generalizado. Deprimimos, desalentados e cansados. Recorremos a pílulas milagrosas e abusamos de medicamentos que nos dão a sensação química e falsa de que está tudo bem, afinal. Mas não está…

Falhámos na aprendizagem da resiliência e da aceitação. Resiliência para perseguir o que o nosso coração nos dita; aceitação para aprendermos o que nos faz falta e não o que queremos; aceitação do movimento da vida, dos altos e baixos, das conquistas e das derrotas… Porque tudo faz parte desta experiência que se chama Viver!

Mas ainda estás a tempo!

Que o teu objectivo de hoje seja observar: observar-te a ti, aos outros, ao mundo. Sem julgamento, apenas observando o movimento. Escutando os outros e escutando-te a ti. Depois, faz escolhas. A tua passagem por aqui tem um único objectivo: aprender o que é o amor. Não há grandes missões nem outros propósitos que não sejam esta aprendizagem.

A pergunta que te deves fazer a cada dia é: o que estou a fazer para aprender o que é o amor?

Aprende a resiliência e a aceitação, aprende a confiar na Vida e nos desígnios misteriosos dos teus caminhos, aprende a Ser e não a Ter.

Leave a Reply:

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *